Sou
peruana do Brasil, ou brasileira do Peru? Sou
ambas as coisas, mas acima de tudo sou palavreira de nascimento. Fiz
desta cisma de palavras o meu ofício itinerante. A minha linguagem
nos entretantos do tempo permanece primordialmente analógica.
Daí o meu fascínio pela linguagem infantil, pela linguagem
popular, pela linguagem dos poetas. Quando menina, lá no Peru,
ficava na ponta dos pés para espiar do outro lado das montanhas.
Agora, morando deste lado da fronteira, tento espiar o que acontece
nos países vizinhos. Para dar conta desse amor continental escrevo
dobrado: |